O que mudou no voto para presidente entre 2022 e 2026, lugar por lugar
Comparamos o resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 com o de 2022 em cada local de votação do país. O objetivo é descrever onde o voto mudou e em que tipo de lugar a mudança foi maior ou menor.
Este texto trata de resultados oficiais já apurados. Não é pesquisa eleitoral, não mede intenção de voto e não faz projeção para o segundo turno.
O que foi comparado
As duas eleições tiveram, entre os mais votados, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um candidato do PL: Jair Bolsonaro em 2022 e Flávio Bolsonaro em 2026. São candidatos diferentes no segundo caso, e a comparação deve ser lida com essa ressalva.
No primeiro turno de 2022, Lula teve 48,4% dos votos válidos e Jair Bolsonaro, 43,2%. Em 2026, Lula teve 45,2% e Flávio Bolsonaro, 47,0%. Os dois disputam o segundo turno.
Para comparar lugar por lugar, usamos os 83.759 locais de votação que existiam nas duas eleições, no mesmo endereço. Eles reúnem 92,8% dos votos válidos de 2026. Nesse conjunto, o percentual de Lula passou de 48,3% para 44,9% (3,3 pontos a menos) e o do candidato do PL, de 43,4% para 47,3% (3,9 pontos a mais). Os demais candidatos somaram 7,8% em 2026.
O tamanho do município
A mudança foi maior nos municípios pequenos. Naqueles com até 10 mil votos válidos, o percentual de Lula recuou 6,1 pontos e o do candidato do PL avançou 6,0. Nos municípios com mais de 1 milhão de votos válidos, as variações foram de 0,4 ponto a menos e 2,5 pontos a mais, respectivamente.
O mesmo aparece na comparação entre capitais e demais municípios: nas capitais, 0,7 ponto a menos para Lula e 2,3 a mais para o candidato do PL; fora delas, 4,2 a menos e 4,3 a mais.

As regiões
A direção da mudança foi a mesma nas cinco regiões, com intensidade diferente. No Sul, o percentual de Lula recuou 5,5 pontos e o do candidato do PL avançou 5,5. No Centro-Oeste, 5,2 a menos e 2,7 a mais. No Nordeste, no Sudeste e no Norte, as variações ficaram perto de 3 pontos a menos para Lula e de 4 pontos a mais para o candidato do PL.
Em 2026, Lula foi o mais votado no Nordeste; o candidato do PL, no Sul, no Sudeste, no Centro-Oeste e no Norte.

Dentro das cidades
Cruzamos cada local de votação com a renda do seu entorno, medida pelo Censo 2022 num raio de 500 metros, e comparamos cada local apenas com os outros da mesma cidade.
Nos locais do quinto de menor renda de cada cidade, o percentual de Lula recuou 4,0 pontos e o do candidato do PL avançou 3,9. No quinto de maior renda, 1,6 ponto a menos e 3,2 a mais. Em 2026, Lula continuou com percentual mais alto nas áreas de menor renda (49,5%) do que nas de maior renda (41,0%); o candidato do PL, o inverso (43,0% e 50,2%).

Em Belo Horizonte e em São Paulo, o padrão é visível no mapa: a variação foi favorável a Lula em parte das áreas centrais e favorável ao candidato do PL na maior parte das áreas mais afastadas.

A abstenção
No país, a abstenção ficou praticamente igual, perto de 21%. Mas mudou de lugar: subiu 1,6 ponto nos municípios com mais de 1 milhão de votos válidos e caiu entre 1,0 e 1,4 ponto nos municípios com até 50 mil.

Dividimos os locais de votação em cinco grupos com o mesmo número de eleitores, conforme a mudança na abstenção. Onde ela mais caiu (5,0 pontos a menos), Lula teve 0,3 voto a menos a cada 100 eleitores aptos e o candidato do PL, 5,0 a mais. Onde ela mais subiu (3,8 pontos a mais), Lula teve 4,4 votos a menos a cada 100 eleitores e o candidato do PL, 1,3 a mais.
A variação da diferença entre os dois, porém, foi parecida nos cinco grupos, entre 6 e 8 pontos. Ou seja, a mudança no resultado ocorreu tanto onde mais gente foi votar quanto onde menos gente foi.

O que os dados não dizem
Os resultados descrevem lugares, não pessoas. Eles mostram onde cada candidatura teve mais ou menos votos do que quatro anos antes. Não permitem afirmar quais eleitores mudaram de voto, quais deixaram de votar, nem por quê. Um local onde um percentual caiu e outro subiu pode ter tido troca de voto, mudança de quem compareceu, eleitores novos ou tudo isso ao mesmo tempo.
A renda usada é a do entorno do local de votação, não a dos eleitores que votam ali.
Como foi feito
- Fontes: boletins de urna de 2026 e votação por seção de 2022, do Tribunal Superior Eleitoral; cadastro de locais de votação do TSE; Censo 2022, do IBGE.
- Comparação: entre os dois primeiros turnos, nos locais de votação presentes nas duas eleições a até 300 metros de distância. O voto no exterior não entra.
- Percentuais: sobre votos válidos, exceto na parte de abstenção, em que os votos são contados a cada 100 eleitores aptos.
- Abstenção: 71.037 locais (87,2% dos eleitores), excluídos os que mudaram muito de tamanho entre as eleições.
- Data dos dados: resultados de 2026 obtidos em 5 de outubro de 2026. Faltavam 15 seções, 12 em Carapicuíba (SP) e 3 em Betim (MG), ainda não disponibilizadas pelo TSE.